Por: Inteligência Econômica
23 de Dezembro de 2025
O encerramento do ano de 2025 traz um cenário de otimismo cauteloso e surpresa para os analistas de Wall Street. Contra as previsões de uma desaceleração acentuada devido aos juros elevados e incertezas geopolíticas, a economia dos Estados Unidos demonstrou uma resiliência notável. O Bureau of Economic Analysis (BEA) reportou que o PIB avançou a uma taxa anualizada de 4,3% no terceiro trimestre, superando amplamente o consenso de mercado de 3,3%.
Os Motores da Expansão Acima das Expectativas
Três pilares fundamentais sustentaram esse crescimento robusto, permitindo que a maior economia do mundo superasse as estimativas iniciais:
1. A Revolução da Infraestrutura de IA
O investimento empresarial foi um dos grandes protagonistas. Embora outros setores tenham mostrado moderação, o aporte massivo em data centers e infraestrutura de Inteligência Artificial representou uma parcela desproporcional do crescimento. Estima-se que, sem o “boom” da IA, o PIB teria apresentado uma expansão significativamente menor. Grandes empresas de tecnologia mantiveram seus planos de Capex (investimento em capital) em níveis recordes para sustentar a demanda por modelos generativos.
2. Consumo das Famílias e o “Low-Hire, Low-Fire”
O mercado de trabalho americano em 2025 foi caracterizado por uma dinâmica de “baixo recrutamento, mas pouca demissão”. Com o desemprego estável em torno de 4,3%, a confiança do consumidor permaneceu sólida o suficiente para manter os gastos em serviços, especialmente em saúde e viagens internacionais, superando o impacto da inflação de bens.
3. Gastos Governamentais e Defesa
O aumento nos gastos públicos, impulsionado tanto por níveis estaduais quanto federais — particularmente no setor de defesa — deu o empurrão final para o resultado de 4,3%. Esse suporte fiscal compensou a retração em investimentos privados em estoques e manufatura.
Comparativo: Expectativa vs. Realidade (2025)
A tabela abaixo ilustra como os indicadores oficiais superaram as projeções do início do segundo semestre:
| Indicador | Consenso Inicial (Q3) | Resultado Real (Q3) | Variação |
|---|---|---|---|
| Crescimento do PIB | 3,2% – 3,3% | 4,3% | +1,0% |
| Gastos do Consumidor | 2,5% | 3,5% | +1,0% |
| Inflação (PCE) | 2,4% | 2,8% | +0,4% |
O Desafio da Inflação e a Reação do Federal Reserve
O crescimento acelerado, contudo, trouxe um efeito colateral: a persistência inflacionária. O índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) subiu para 2,8%, acima da meta de 2% do Federal Reserve.
Esse vigor econômico forçou os mercados a recalibrar suas apostas. O que antes era visto como um ciclo de cortes rápidos de juros transformou-se em uma postura de “esperar para ver”. O Fed, diante de um PIB tão forte, sinalizou que as taxas podem permanecer em patamares restritivos por mais tempo para evitar o superaquecimento da economia.
Perspectivas para 2026
Apesar do brilho de 2025, economistas alertam para uma desaceleração moderada em 2026. O impacto de paralisações governamentais pontuais ocorridas no fim do ano e a maturação dos investimentos em tecnologia sugerem que o PIB deve convergir para uma taxa de 1,8% a 2,0% no próximo ano.
”A economia americana provou ser imune às previsões de recessão em 2025. O desafio agora é transformar esse fôlego em um crescimento sustentável de longo prazo, equilibrando produtividade tecnológica e estabilidade de preços.”
